Inclusão
Escola inclusiva não é mais fraca, afirma diretora
DA REPORTAGEM LOCAL
A Escola da Vila é um colégio particular acessível. Entretanto a direção afirma que há critérios para aceitar aluno deficiente de forma a garantir que a inclusão seja responsável.
O aluno com necessidades especiais precisa ser matriculado ainda na educação infantil, para entrar na sala quando o grupo está sendo constituído.
A escola também não aceita que a família coloque um filho deficiente no colégio e mande os demais filhos para outras instituições -a idéia é fazer a inclusão também na família.
“A escola não é mais fraca ou menos exigente porque é inclusiva. Nosso objetivo é que cada criança busque sua própria excelência”, afirma Vania Marincek, diretora pedagógica de educação infantil e fundamental 1.
Segundo ela, a escola aceita um deficiente por sala. E os alunos com necessidades especiais têm de ter idade próxima aos demais da sala. (Folha)
Como escolher a escola.
Lição de casa: escolher a escola
Neste período do ano muitos pais estão enlouquecidos com sua tarefa de casa: visitar escolas, entrevistar diretores e coordenadores, trocar informações, consultar rankings e guias, ler reportagens e assim por diante. Tudo isso por quê? Porque eles têm de escolher a escola que o filho freqüentará no próximo ano. E, do jeito que as coisas são colocadas, se os pais escolherem bem, o filho terá uma boa escolaridade; caso não acertem, será deles a culpa pela formação escolar deficiente do filho. Não é, portanto, por pouca coisa que os pais estão tão preocupados.
O problema é que a maioria das orientações que os pais recebem nessa busca é, no mínimo, equivocada. Além do mais, elas colaboram para que a idéia de educação escolar fique cada vez mais identificada como bem de consumo e/ou prestação de serviço e para que a infância tenha seu lugar roubado.
Muitas reportagens de jornais e revistas informam que os pais de crianças pequenas devem observar muito bem o ambiente em que funciona a escola para checar se não é perigoso. E quais os perigos apontados? Dentro da escola: presença de escadas e rampas muito inclinadas, móveis pontiagudos, brinquedos que oferecem risco de queda, piso sem proteção antiderrapante, tanque de areia sem tratamento ou lavagem periódica etc. Fora da escola, os pais são orientados a observar se há policiamento e se o bairro não é perigoso.
Pensando bem nessas questões, só podemos concluir que nossas crianças vivem e viverão num mundo sem degraus, subidas, buracos e obstáculos e que elas não têm potencial para aprender a identificar riscos e a se cuidar. Além disso, considera-se também que elas têm um organismo frágil cujo sistema imunológico não se desenvolve, não é mesmo? Em relação a esse dado, aliás, há uma hipótese médica de que o índice de crianças alérgicas tem aumentado nos últimos anos justamente pelo fato de as crianças serem protegidas em demasia do contato com o meio.
Bem, o que está em jogo nesse tipo de orientação é uma coisa só: a segurança, a ausência de riscos e incertezas, a busca de controle, a proteção exagerada das crianças. E isso acaba impedindo que elas vivam de acordo com a idade que têm e que cresçam com oportunidades de realizar seu potencial.
Por trás das escolas que assim se apresentam, principalmente por demanda dos pais, ou seja, dos consumidores, há uma fragilidade dupla: a idéia de criança está absolutamente subestimada e a de educação, atrelada às exigências do mercado. Não há linha pedagógica que salve uma escola que assim se constitua.
O que procurar, então, em uma escola de educação infantil que não tenha relação com segurança e proteção e sim com educação? Em primeiro lugar, a escola que atende crianças pequenas não deve arremedar a escola de ensino fundamental.
Professores que dão tarefas e propõem atividades o tempo todo, que se comunicam com seus alunos como se eles fossem maiores ou miniadultos, que trabalham a maior parte do tempo em salas fechadas, que dão lição para ser feita em casa, que buscam um aprendizado mensurável objetivamente, que respondem de imediato às perguntas de seus alunos, que gastam um tempo precioso de seu horário de trabalho organizando pastas para que os pais confiram o que o filho fez na escola ou preparando apresentações e festas, por exemplo, não respeitam a complexidade dessa fase da vida da criança nem seu papel de professor. É isso o que os pais buscam para seus filhos pequenos em uma escola?
Elas afirmam que sim. Dizem que muito do que fazem é por exigência de seus clientes (assim consideram os pais de seus alunos) e que essa é a maneira que têm para sobreviver num mercado em crise. Mas e a educação onde é que fica? No shopping, talvez. Voltaremos a conversar sobre esse assunto em breve.
ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de “Como Educar Meu Filho?” (ed. Publifolha)
@ – roselysayao@folhasp.com.br
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